Hospital

O Hospital da Santa Casa foi criado em 11 de Agosto de 1811, no sótão do edifício da Câmara Municipal, a título provisório. Começou como enfermaria. Por provisão régia, só em 1821 se conseguiu autorização para o lançamento da contribuição do “Real-imposto” de um real em cada arrátel de carne e em cada quartilho de vinho para a construção do hospital. O imposto foi lançado em 14 de Março de 1822. Só em 1835 passou para edifício próprio, e anexo à Santa Casa, em 1835.

O edifício definitivo do Hospital foi construído a nascente da Casa do Despacho “por ser ventilado de norte a sul, em encontro à pureza da atmosfera, ser separado do centro de povoação e dispensar-se n’ele a despesa da construção d’uma capela e cemitério, por tido suprir a Misericórdia” (Misericórdia da Póvoa de Varzim, trabalho de Ana Paula Penteado e Manuela Pereira, 1991). A primeira pedra foi colocada em 27 de Junho de 1826, mas só em 29 de Junho de 1835 foi possível a sua inauguração.

O Hospital tinha a protecção do Senhor na Prisão e dispunha de 2 enfermeiras, uma para homens, tendo como patrono S. José, e outra para mulheres, sendo sua protectora Nossa Senhora das Dores, com capacidade para 50 enfermos pobres. Mais tarde fora acrescentada a enfermaria de S. João, custeada pelo benemérito João Antunes Guimarães, bem como sala para enfermos particulares. (Maria Antonieta Vieira Freitas da Silva, História da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim, Universidade dos Açores, Departamento de História, Cadeira da Teoria das Fontes e Problemática do Saber Histórico, 1987).

O Hospital sofreu algumas alterações, na sua fisionomia arquitectónica, ao longo dos anos. Em sessão de Mesa da Misericórdia, de 29 de Abril de 1877, sendo Provedor Manuel Martins do Rio, resolveu-se construir um 2º andar, tendo as obras começado em 16 de Abril de 1880. Toda a empreitada foi entregue ao mestre pedreiro Custódio Gonçalves da Costa, de Beiriz.

A existência deste estabelecimento, deve-se, dizia em 1851 o Pe. José Giesteira, ao zelo e actividade do patriótico José António Alves Anjo, à dedicação de Bernardo José da Silva e à piedade de João Francisco Nunes.

O Hospital foi o primeiro edifício da Póvoa a ter água encanada, graças ao Comendador Francisco de Castro, proprietário de uma fábrica de sabão na Praça do Almada. Em 1 de Fevereiro de 1884, na parte do rés-do-chão, instalou-se um Asilo, por disposição testamentária de José Caetano Calafate.

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