Igreja da Misericórdia

A antiga igreja matriz da Póvoa de Varzim foi a causa do aparecimento da Santa Casa da Misericórdia. Com o aparecimento da Santa Casa, evitou-se a destruição do velho templo. A igreja era “feita ao antigo sem naves, nem outro artifício, e há dentro dela quatro Irmandades ou Confrarias, he a do Santíssimo Sacramento no Altar Mayor; a Segunda da Senhora do Rozario no altar della Collateral da parte do Evangelho; a Terceira do Nome de Deos e dos Santos Passos no altar do Cruzeiro da parte do Evangelho; e na outra Capella da parte da Epistolla a Confraria das Almas no altar dellas.” (“O Concelho da Póvoa de Varzim no Séc. XVIII – As Memórias Paroquiais de 1736 e 1758”, publicadas e prefaciadas por Fernando Barbosa, Boletim Cultural “Póvoa de Varzim”, vol. I, nº 2, 1958, pág.276.).

Antes desta igreja já existira uma pequena capela dedicada a S. Tiago. “É certo que no ano de 1544 já existia no mesmo lugar uma capela, com a invocação do Apóstolo S. Tiago, cuja imagem se conserva em um altar junto ao lugar das caveiras, bem como se observaram vestígios da mesma, quando se reformou a capela mor da actual igreja. ”Em 1685 aumentou-se“ a dita igreja, para servir de Matriz, quando necessário fosse, e se achasse mais povoado o lugar em que estava colocada.(…)

Como se tivessem destruído todos os obstáculos, que davam causa ao desamparo da Matriz, resolveu o Pároco e o Senado passar para ela a Sagrada Eucaristia, que se achava na Capela da Madre de Deus, desde o ano de 1544, e isto se fez por necessidade, em razão da dita capela não ter capacidade suficiente para nela se solenizar o culto, e ter a Matriz mais capacidade para se conter os fiéis, o que se efectuou em 1702, como consta de diversos assentos da Paróquia”. (Revista “Póvoa de Varzim”, 1915)

A igreja matriz, em 1757, passou para um novo edifício, e a Misericórdia ficou de posse da antiga igreja paroquial e do respectivo adro com cemitério. A Santa Casa ficou com a “obrigação de fazer a procissão dos Santos Passos nesta vila na véspera do domingo dos ditos Santos Passos à noite sairá em procissão da mesma igreja da Misericórdia a santa imagem dos Santos Passos a recolher na igreja nova, matriz e paroquial desta vila, aonde no outro dia dela se fará o sermão do Pretório e na procissão dos ditos Passos que terá de vir recolher na igreja velha da Misericórdia, levará debaixo do pálio o santo lenho.” (documento manuscrito arquivado na Santa Casa).

A mesa em exercício de 1905 a 1907, sendo Provedor o Dr. David José Alves, deliberou construir uma nova igreja. O novo templo seria construído no lugar da primitiva Capelinha dos Mortos, que antigamente era cemitério da irmandade.

A nova igreja da Misericórdia tem traço inicial do arquitecto Adães Bermudes, mas versão final do Arquitecto portuense Peres Guimarães. Foi construída no lugar da primeira capela dos mortos que antigamente era o cemitério da irmandade. Em 1909 sendo então o Provedor o Dr. António Rodrigues da Costa Silveira, foi posta a concurso a empreitada da nova igreja, tendo como base de licitação a quantia de oito mil quatrocentos e sessenta reis. A obra foi adjudicada ao mestre canteiro António Fernandes Dias, de Mujães, Viana do Castelo, por 15 contos. A primeira pedra foi lançada no dia 2 de Novembro de 1909. Para sua construção aproveitando-se o material da igreja em ruínas (onde estava a máquina de desinfeção) e da capela velha, que se demoliu em 13 de Janeiro de 1910. A obra de pedreiro terminou em Junho de 1913, com a colocação da cruz sobre o alpendre. A igreja ficou concluída nos finais de Julho de 1914, contribuindo para isso os mais de 4 contos que o Provedor João Gomes de Castro doou. O Tesoureiro, Manuel António Gomes de Campos pagou de seu bolso a colocação de dois pára-raios. Em 12 de Agosto de 1914, embora não estivessem feitos os altares próprios e tribuna, mas pela urgência que havia para se celebrar actos de culto e em virtude da colónia banhista não ter onde assistir a missas dominicais, pela falta da Capela de S. José, no Passeio Alegre, o novo templo foi benzido pelo Bispo do Porto, D. António Barroso.

Bênção solene

12 de Agosto de 1914

Dom António José de Sousa Barroso (Bispo do Porto)

Mesa Administrativa

 

Provedor
João Gomes de Castro

Vice Provedor
David José Alves

Tesoureiro
Manoel Entonio Gomes de Campos

Vogais
Leopoldino António de’ Almeida Rainha

Manoel da Costa Marques
António Gomes Senra
Manoel José da Nova
Manoel Martins Felgueiras

Capelão
Pe. José Almeida da Costa Amorim

Pregador da Missa Solene
Pe. Jerónimo Luiz da Costa

Direcção da Orquestra (expressamente organizada para a bênção solene):
Dr. Josué Trocado

Arcipreste do Distrito Eclesiástico da Póvoa e Vila do Conde
Pe. António Gomes Ferreira

Arquitectos
Adães Bermudes
António Peres Dias Guimarães, do Porto (alterações finais)

Construtor
António Fernandes Dias, de Mujães, Viana do Castelo, mas morador na freguesia de Balasar

Preço
Oito contos e quatrocentos e sessenta mil reis

Entrega da obra ao construtor

29 de Novembro de 1908

Autorização do Paço de Braga para demolir a Igreja Velha
13 de Outubro de 1909

Nomeação do fiscal das obras
10 de Novembro de 1909

Fiscal das obras
António Ogando

Vencimento do fiscal
Doze mil reis mensais

Antiga Capela de S.Tiago da Mata

1685
Aumento da Capela para servir de Igreja Matriz (a Igreja Matriz era na Capela Madre Deus)

1702
Igreja Matriz (passou, nesta data, da Capela Madre Deus para o Templo da Mata – nome do lugar onde se localizava o Tempo que passará a ser da Santa Casa da Misericórdia – acabado de ser ampliado)

1757

Igreja da Misericórdia

1910

Demolida da Igreja para dar lugar ao actual edifício

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